Suicídio é questão de saúde pública | Entrevista CBN Salvador

Em entrevista à rádio CBN Salvador, Dra. Fabiana Nery, psiquiatra da Holiste, abordou o tema suicídio em virtude da campanha do Setembro Amarelo.

A campanha tem por objetivo chamar atenção e busca sensibilizar profissionais de saúde e a própria sociedade para o fato de que o suicídio pode ser prevenido e que o silêncio em torno do tema precisa ser rompido.

Fabiana Nery ressalta que existe uma prevalência aumentada de tentativa de suicídio a suicídio completo dos 16 aos 24 anos e, também, na terceira idade. Segundo ela, algumas questões clínicas e fisiológicas podem explicar parte do aumento de incidência nestas duas faixas etárias. “No caso do idoso, associamos a doenças clínicas, crônicas, dificuldades físicas, que são fatores que podem aumentar o índice de suicídio. Já na adolescência, existem várias questões psicológicas e dinâmicas que agravam o problema, porém, não podemos deixar de falar em maturação cerebral, já que nesta idade parte do cérebro que é responsável pelo controle, autocrítica e pela capacidade de controlar impulsos, ainda está em formação, o que ajuda a entender porque os adolescentes e jovens no início da vida adulta correm mais riscos e estão mais susceptíveis a situações de perigo, aumentando o risco de tentativa de suicídio em relação as outras faixas etárias.

Dra. Fabiana ainda alerta a importância de orientar bem todos os profissionais da saúde para que os mesmos estejam capacitados a identificar, abordar e encaminhar um paciente com risco de suicídio para um especialista. “Se os agentes de saúde conseguissem identificar estes pacientes e encaminhassem para um profissional especializado, teríamos uma drástica redução de mortes por suicídio, que hoje podemos considerar uma questão de saúde pública, a qual tem acabado com a vida de muitas pessoas sem necessidade, pela simples ausência de um tratamento”.

Suicídios no Brasil

A cada 45 minutos, um brasileiro morre vítima do suicídio. Para cada mulher que atenta contra a própria vida, existem três homens que fazem o mesmo. Com a meta de mudar essa realidade, a Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina, Federação Nacional dos Médicos, Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, Cruz Vermelha, Centro de Valorização da Vida, entre outros se uniram em torno do Setembro Amarelo.

O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios. Em 2012, foram registradas 11.821 mortes, cerca de 30 por dia, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo observado um aumento de mais de 30% em jovens.

Confira a entrevista completa de Dra. Fabiana Nery.

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