USO DO TERRITÓRIO COMO FERRAMENTA TERAPÊUTICA

O uso do território, seja sob a orientação de psicólogos, acompanhantes terapêuticos ou psiquiatras, visa utilizar os passeios e atividades dentro e fora dos hospitais ou clínicas como formas alternativas de tratamento.

Em entrevista ao programa CBN Bate Papo, o psicólogo da Holiste, Ueliton Pereira, falou sobre o uso do território como ferramenta terapêutica no tratamento de pacientes com transtornos mentais.

 

Ambiente terapêutico

O ambiente terapêutico e a sala do consultório são dois espaços diferentes, cada um com sua função no tratamento. No consultório o paciente tem um tratamento ambulatorial acompanhado de um profissional, que é onde acontecem as psicoterapias. Já no ambiente terapêutico, o tratamento é realizado explorando o território no qual o paciente está inserido. “No Holiste Dia nós trabalhamos a reinserção social, então nada melhor do que fazer isso in loco, aonde ele vive e com pessoas que ele convive. É uma ação terapêutica. É um trabalho diferenciado da abordagem ambulatorial.  Muitas vezes surgem coisas ali naquela vivência que no consultório não tem como resolver. Então, no território a gente lida com a prática em si”, explica Ueliton.

Ainda segundo Ueliton, é importante desmistificar essa visão de que o psicólogo ou o psicanalista permanecem somente no consultório ouvindo o paciente. Hoje há uma interação muito maior. Ir para o divã faz parte de um processo terapêutico da psicanálise, porém existem outras ferramentas, como por exemplo o uso do território, com foco nas atividades externas. “É muito importante que os pacientes que estão fazendo uso do território continuem também com o processo terapêutico no consultório, porque no consultório serão tratadas questões mais específicas do que no território, que são mais voltadas para as questões práticas”, diz.

 

Experiência com o uso do território

A atividade externa é compreendida como uma possibilidade de cuidado na medida em que permite uma prática terapêutica orientada para a criação de estratégias voltadas para a convivência e o estabelecimento de redes de afetos e de sociabilidades. O uso do território, nessas atividades externas, é efetivo porque é onde estão os recursos.

Para o psicólogo, ao utilizar uma sorveteria, por exemplo, como recurso terapêutico, é possível construir uma relação de troca entre os sujeitos do serviço e a comunidade. “Podemos trabalhar as escolhas, o se posicionar enquanto sujeito de direito, o manejo com o dinheiro, estabelecimento de novos vínculos, quebra de paradigmas sobre a discriminação de si e principalmente sustentar seu próprio desejo. O investimento dos técnicos nessas atividades proporciona a expressão, a organização pessoal, a disciplina, a construção do companheirismo e a troca de conhecimentos para fortalecer os vínculos”, explica.

“As atividades externas, que requerem mais atenção e cuidado, têm nos ensinado que a simplicidade das vivências, trazem ricos resultados terapêuticos. A ida a uma praia, cinema, teatro ou clube por exemplo, tem resgatado memórias e vivências cheias de afetos que permitem os técnicos a trabalharem com conteúdos que jamais tinham sido trazidos, mas que devido a contingência daquele lugar, se permitiram compartilhar e resignificar suas lembranças”, conclui.

Confira a entrevista completa:

Parte 01:

 

Parte 02:

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