Violência e Transtorno Mental

violencia las vegas

Atos de extrema violência envolvendo pacientes com transtorno mental reforçam a importância da internação psiquiátrica na contenção dos sintomas graves.

Na última semana, duas tragédias de extrema violência marcaram os noticiários do Brasil: o atirador de Las Vegas, que disparou contra a multidão que acompanhava um festival de música e deixou ao menos 58 pessoas mortas e mais de 500 feridas, e o caso do vigilante que ateou fogo em uma sala de aula da creche onde trabalhava, matando onze pessoas e deixando outras 21 feridas (em sua maioria crianças), em Janaúba – MG. Nos dois casos, os agressores cometeram suicídio logo após o ataque, o que levanta a possibilidade de se tratarem de indivíduos com transtornos mentais.

Para esclarecer como os transtornos mentais podem desencadear este tipo de tragédia, Dr. Luiz Fernando Pedroso, psiquiatra e Diretor Clínico da Holiste, concede uma entrevista ao programa CNT Notícia.  Assista a entrevista completa:

 

 TRANSTORNO MENTAL MATA

Para Luiz Fernando, é preciso assumir o transtorno mental por detrás de cada um desses episódios, entender que a doença mental mata, sendo um perigo tanto para a pessoa portadora do transtorno, quanto para terceiros:
“Doença mental mata, e mata muito. Mata principalmente o próprio doente. Esses casos onde o doente acaba agredindo outras pessoas são uma raridade, na grande maioria dos casos o doente agride a si mesmo. Isso é claramente um ato de loucura. Portanto, um ato de doença mental. O que me chama a atenção é que a gente vê muito na mídia se falar da questão do acesso às armas, a associação disso com movimentos políticos, e ninguém fala da questão que está por trás de todos esses atentados que é a loucura, sobretudo a doença mental não tratada”.
O especialista acredita que, nos casos de surtos psicóticos graves, por exemplo, a internação psiquiátrica é de suma importância para salvar vidas: “Eu tenho certeza que, na nossa clínica, semanalmente a gente evita pelo menos dois ou três casos de suicídio, ou de agressão a outras pessoas, com a internação psiquiátrica. A internação involuntária, inclusive. Porque quando a pessoa perde a noção de si mesmo, o juízo de realidade, a crítica, alguém tem que assumir o comando dessa pessoa e providenciar uma ajuda” – esclarece o psiquiatra.

LEIA A MATÉRIA “MENTES CRIMINOSAS”

 

SUICÍDIO – SINTOMA DE GRAVIDADE DO TRANSTORNO MENTAL

Independente de se tratar de um ato politicamente motivado, como é o caso dos terroristas jihadistas, somente alguém com sérios problemas mentais consideraria tirar a própria vida, salvo raras exceções. Dados da OMS apontam que 90% dos suicidas possuem histórico de doença mental. Luiz Fernando complementa, afirmando que o ato suicida é um sintoma da gravidade do transtorno:
“O suicídio é sempre um sinal de doença mental, frequentemente uma depressão. Uma pessoa que comete um ato desses já entra com a vontade ser morto ou ele mesmo se matar. Frequentemente, quando ele está atirando nos outros, como o que aconteceu, eles está se colocando numa posição de guerra, como se o mundo fosse hostil a ele, e isso é muito típico de uma pessoa que está passando por um processo depressivo, psicótico e paranóico” – conclui.

 

ASSISTA AO VÍDEO DA PALESTRA : RADICALISMO POLÍTICO E O TRANSTORNO MENTAL

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