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Dependência química, entrevista Luiz Guimarães | Vídeo

Notícias 18/10/2018

A dependência química ainda é um tema muito cercado por tabus. Esse preconceito em relação ao dependente químico tem, cada vez mais, gerado problemas sociais, já que a falta de atendimento adequado ao problema, no âmbito da saúde pública, acaba por deixar muitos doentes desassistidos, gerando abandono e até mesmo o aumento da violência e criminalidade nos espaços públicos.

Luiz Guimarães, psiquiatra da Holiste, foi um dos convidados do programa Band Mulher para tratar sobre o tema, apontando as particularidades da dependência química entre as mulheres.

“É importante ressaltar que a dependência química, no imaginário, está muito associada às drogas ilícitas. Mas, temos as drogas legalizadas, como o álcool e os benzodiazepínicos, que podem causar tanto ou mais problemas que as drogas ilícitas. Do ponto de vista neurológico, ela é uma doença, mas não se pode abordar a dependência química apenas como uma patologia neurológica, pois existe todo um contexto social e da história de vida de cada pessoa que também tem influência”, destaca o médico.

Confira o vídeo completo:

 

Mulher e preconceito

Quando se fala em dependência química nas mulheres, o psiquiatra afirma que existe um peso social ainda maior em torno do tema.

“Percebemos que quando o homem é dependente químico, a mulher normalmente está ao lado dele. O contrário já não é tão verdadeiro. Normalmente, quando ela chega para se tratar, já está sozinha”, aponta.

Comportamento dependente

O psiquiatra explica que o uso de uma substância psicoativa não é necessariamente dependência química. O comportamento só se torna patológico quando associado ao prejuízo que o uso dessa substância causa  ao usuário.

“Quando a pessoa começa a desenvolver o que chamamos de ‘comportamentos dependentes’, o uso da substância começa a trazer danos para sua vida. Ela se afasta de amigos, família, afeta sua vida profissional. Muitas vezes, quando percebemos isso, o problema já está bastante grave. É importante que possamos chegar nestas pessoas cada vez mais cedo. Por exemplo: a pessoa gosta de beber, isso pode ser um uso normal; mas, se esse indivíduo começa a faltar ao trabalho na segunda-feira, não render mais, isso pode ser indício de comportamento dependente”, alerta Luiz Guimarães.

Fissura

Muitas pessoas associam a dependência química a um problema moral e enxergam o dependente como um delinquente, alguém com um “desvio de carácter”. Esse é um fator que prejudica muito o processo de identificação do problema e o próprio tratamento, além de trazer sérias implicações na sociabilização do paciente.

“O dependente químico é uma pessoa que sofre. Ele sabe que aquilo é ruim, que causa dor, mas determinadas áreas do cérebro perdem o controle. Antes de usar, a pessoa sabe de todos os danos, mas quando entra em contato com a droga, ou até antes, quando ela começa a ter a fissura, que é um desejo irrefreável, ela acaba por perder o controle sobre si mesma. Existe uma química cerebral que faz com que ela esqueça a parte ruim e só lembre da que considera boa”, sublinha Luiz Guimarães.

 

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