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NOTÍCIAS – Mitos sobre o autismo dificultam convívio com quem sofre do transtorno

By iwwa

August 07, 2013

O autismo, um dos temas abordados na novela global “Amor à Vida”, com a personagem Linda (interpretada pela atriz Bruna Linzmeyer), é um transtorno bem mais comum do que se imagina. Estudo divulgado em 2012 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, mostrou que ele afeta uma em cada 88 crianças. Este ano, a instituição revisou a proporção para uma em cada 50 crianças. A estimativa dá uma ideia de como existem casos sem diagnóstico, especialmente no Brasil.

Apesar da frequência, ainda há pouca informação sobre o transtorno, o que cerca o assunto de mitos, que, muitas vezes, prejudicam não apenas o diagnóstico, como também o tratamento e o convívio com os autistas. Para piorar, até os especialistas divergem em muitos pontos. E as abordagens são diferentes para cada paciente, porque cada caso é um caso – enquanto alguns autistas vivem com relativa independência, outros precisam de cuidados especiais permanentemente.

Mundo próprio

Quem trabalha com esse transtorno do desenvolvimento costuma dizer que há uma série de mitos a serem derrubados, como o de que o autista vive em um mundo próprio, não gosta de afeto, nem da convivência com os outros. “Na maioria das vezes, não negam afeto e buscam contato físico para dar e receber carinho de pessoas conhecidas”, comenta a  psicoterapeuta infantil Lygia Teresa Dorigon,  especializada em autismo.

Para o neurologista Leandro Teles, especialista em neurologia com residência médica no Hospital das Clínicas da USP, tal característica é inata do ser humano, o que muda é a forma de o sujeito manifestar e receber tal estima. “Alguns não se sentem bem se são surpreendidos, e também se mostram sensíveis a estímulos externos intensos”.

A falta de domínio da linguagem e a redução do contato visual também podem gerar essa percepção incorreta. “É preciso conhecer alguns sinais sutis, e estabelecer um canal de interação alternativo e personalizado, para otimizar as relações e as trocas pessoais”, recomenda o neurologista.

O fato é que alguns indivíduos que sofrem com o transtorno se incomodam com interações prolongadas e contextos sociais muito caóticos e barulhentos. “Porém, muitos apresentam interesse em se relacionar socialmente, mesmo não possuindo as habilidades necessárias para fazê-lo”, pondera a psicoterapeuta.

“Não são poucos os que buscam convívio social e se ressentem quando não são bem-sucedidos”, complementa o psicólogo Daniel Del Rey, professor do Núcleo Paradigma. Teles concorda: “Eles apreciam a companhia alheia. Se o ambiente for harmonioso, tranquilo e conhecido, certamente se sentirão bem no convívio com os demais”.

Sintomas 

Entre os principais sinais do autismo está o fato de a criança não apontar, não falar palavras soltas aos 16 meses e nem palavras-frases aos dois anos. É importante frisar que, em muitos casos, a criança se desenvolve normalmente até 1 ou 2 anos, começa a falar as primeiras palavras e, de repente, começa a regredir.

Há vários outros sintomas possíveis, como: não responder quando chamado pelo nome; fazer pouco ou nenhum contato com o olhar; repetir movimentos (balançar de corpo e de mãos); não brincar com símbolos como bonecos/bonecas e casinhas; demonstrar pouco interesse em fazer amizades; ter dificuldade de manter a atenção;  ter crises de birra intensas; ter fixação em certos objetos, como ventiladores rodando; ter resistência a mudanças na rotina e hipersensibilidade a certos sons, texturas e odores.

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