No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a Holiste reforça a necessidade de falar abertamente sobre um tema cercado de tabus, mas essencial para a promoção da vida. A psicóloga Ethel Poll, coordenadora do Programa de Depressão Resistente da Holiste, participou de uma entrevista no programa Conexão Sociedade, no canal do Youtube da Radio Sociedade da Bahia, para discutir os desafios do cuidado em saúde mental e a urgência de ampliar o acolhimento.
Sofrimento que ultrapassa limites
Segundo a psicóloga, o suicídio não acontece de forma repentina. Ele é resultado de um sofrimento intenso, que muitas vezes se torna insuportável. Para a pessoa em crise, a dor de viver pode parecer maior do que o medo da morte. Por isso, estar atento aos sinais é fundamental. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento e falas sobre perda de sentido na vida podem indicar a necessidade de ajuda imediata.
A importância da rede de apoio
Embora se incentive a busca por ajuda profissional, muitas vezes quem sofre não tem forças para procurar atendimento. Nesses casos, familiares e amigos têm um papel essencial: perceber, acolher, ouvir sem julgamentos e, quando necessário, literalmente conduzir a pessoa ao tratamento.
“A depressão grave pode deixar o indivíduo sem energia ou esperança. Às vezes, é preciso pegar pelo braço e levar ao atendimento”, destacou Ethel Poll.
Tecnologia, jovens e vulnerabilidade
Durante a entrevista, também foi abordado o impacto da tecnologia e das redes sociais. Se, por um lado, elas podem oferecer espaços de identificação e apoio, por outro podem ampliar riscos, como o contato com comunidades que romantizam o suicídio. A comparação com vidas “perfeitas” postadas online aumenta a sensação de inadequação, especialmente entre jovens, público onde os índices de suicídio vêm crescendo.
Informar para prevenir
Ethel Poll reforçou que falar sobre suicídio de forma responsável é uma das principais ferramentas de prevenção. Informar a sociedade, combater preconceitos e oferecer caminhos de cuidado são formas de reduzir estigmas e abrir espaço para quem sofre encontrar suporte.
“É preciso que as pessoas conversem sobre o tema de maneira adequada, para que possamos transformar sofrimento em cuidado e acolhimento”, afirmou a psicóloga.
Para conferir mais sobre o assunto, assista a entrevista completa com a psicóloga Ethel Poll no vídeo abaixo e confira todas as reflexões sobre a importância da escuta e do acolhimento na prevenção do suicídio: