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Psicoterapia na terceira idade – Vídeo

Jornada de Saúde Mental 07/12/2018

A ideia de que, depois de certa idade, a pessoa não pode mais mudar – seja em suas opiniões ou formas de agir – é, na verdade, mais um tabu associado ao processo de envelhecimento. O que se vê, hoje, é que isso não é verdade e que as mudanças podem e devem ocorrer em qualquer fase da vida.

Ferramenta importante para lidar com comportamentos e sentimentos, a psicoterapia também contribui muito para a recuperação de pacientes da terceira idade, em especial no processo de envelhecimento saudável.

“Sempre há tempo para o cuidado” foi o tema da palestra ministrada pela psicóloga Raíssa Silveira, durante a Jornada de Saúde Mental. Raíssa destacou a importância das novas práticas no tratamento de idosos na área da saúde mental, impulsionadas pelo crescimento da expectativa de vida da população brasileira.

“Até 2025 o Brasil será o sexto país mundial em número de idosos, segundo as estatísticas. Esses dados nos levam a necessidade de discutir sobre as práticas adotadas para estas pessoas, em saúde mental. Não podemos desconsiderar o envelhecimento do corpo e os efeitos que isso ocasiona em termos de limitações e mudanças, mas, destacando que cada um vivencia isso de uma forma, precisamos analisar o paciente de um ponto de vista interdisciplinar e individualizado, evitando discursos generalistas”, destacou Raíssa Silveira.

Assista à palestra completa

 

Discursos e Conceitos

O envelhecimento é um processo. A velhice é uma etapa do mesmo, que demarca características muito específicas dos indivíduos. O idoso é o resultado do processo de envelhecimento. A OMS determinou que, em países em desenvolvimento, como o Brasil, idosa é a pessoa com mais de 60 anos. Isso ganhou mais força com o discurso jurídico e o estatuto do idoso, garantindo uma série de direitos a estas pessoas.

“Tudo isso é muito benéfico em termos práticos, para assegurar direitos e cuidados de forma coletiva. Na saúde mental, temos que considerar que o processo de envelhecimento é individual e toca cada pessoa de um jeito. Logo, nesse âmbito, no processo clínico, questiono: vamos falar de velhice ou de velhices?”, provocou a especialista.

 Elaboração de perdas

Naturalmente, o processo de envelhecimento contém perdas – seja de pessoas queridas (familiares, amigos), da capacidade de trabalhar, do estilo de vida e da própria condição de desenvolver certas atividades. O sofrimento causado pelos processos de luto e perda não podem ser ignorados.

“As perdas vão ocorrer de alguma forma, mas precisamos ajudar no processo de elaboração dessas perdas, para que o indivíduo possa construir algo e deslocar os afetos investidos no que se perdeu em outros elementos – seja um neto, uma aula de dança, uma religião, enfim, o que o sujeito vai indicar dentro de sua singularidade e que desenvolva uma função”, indicou a psicóloga.

Jornada de Saúde Mental

Com o tema “Abordagens Terapêuticas no tratamento dos Transtornos Mentais”, a Jornada de Saúde Mental, promovida pela Holiste, ocorreu em outubro, em Salvador, e abordou questões relacionadas ao trabalho multidisciplinar no tratamento em Saúde Mental.

O evento contou com a intensa participação de profissionais e estudantes da área que, durante dois dias, debateram sobre psicologia, psicanalise, psicopedagogia, terapia ocupacional, nutrição e acompanhante terapêutico no tratamento dos transtornos mentais.

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