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Suicídio é sintoma de gravidade de doenças psiquiátricas

Entrevista sobre suicídio com Dra. Fabiana Nery

Entrevista sobre suicídio com Dra. Fabiana Nery

Convidada do programa Metrópole Saúde, da rádio Metrópole FM, Dra. Fabiana Nery, psiquiatra da Holiste, falou sobre a importância de tratar o suicídio como um sintoma de gravidade de uma doença psiquiátrica, e para tanto, deve ser abordado de forma ética, profissional e terapêutica.

De acordo com a psiquiatra, estudos clínicos mostram que em 90% dos casos, a tentativa de suicídio ou o suicídio consumado é sintoma de gravidade de uma doença psiquiátrica. “Isso quer dizer que uma doença não diagnosticada e não tratada como a depressão, esquizofrenia ou o transtorno afetivo bipolar evoluem de forma mais grave e chegam até a causar a ideação suicida, tentativa de suicídio ou até mesmo o suicídio completo. É importante salientarmos que o suicídio não tem a ver com traços de caráter, com escolha e com estar desistindo das coisas, tem a ver com estar doente, uma doença grave e que mata”.

Doenças atreladas

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todo mundo. Segundo a OMS, o número de suicídio supera a soma de mortes causada por homicídios, acidentes de trânsito, guerras e conflitos civis ao ano. No Brasil, estima-se que ocorram 32 mortes por suicídio ao dia.

Os transtornos mentais mais comuns associados ao suicídio são: a depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia e dependência química.

“Se interpretarmos a ideação suicida, ou seja, o desejo de morrer como sintoma de uma doença, é possível enxergarmos de uma outra maneira e entendemos que aquilo é passível de tratamento. Suicídio a gente previne, não é uma escolha, não é uma ideologia, é um sintoma”, pontua a psiquiatra.

A depressão, por exemplo, possui uma prevalência de 10% na população mundial, ou seja, 1 em cada 10 pessoas em algum momento da vida irão sofrer de depressão clinicamente significativa. Já a ansiedade chega a atingir cerca de 20% da população.

Estes dados só revelam que as doenças psiquiátricas não são mais uma exceção, elas são um problema de saúde pública e merecem a devida atenção.

Ainda segundo Dra. Fabiana, as notificações de suicídios registradas são muito aquém dos números reais. “Existem muitos casos em que o registro de óbito aponta outras causas, seja por questões administrativas/burocráticas ou até mesmo por motivos religiosos, com a tentativa de que não conste no registro oficial o suicídio como causa de morte. São os casos dos suicídios camuflados como intoxicação e envenenamento, acidentes de carro inexplicáveis e etc. Ou seja, a incidência na verdade é maior do que a registrada”.

Suicídio se previne com informação

Infelizmente, o suicídio sempre foi tratado como um tabu e evitado nas rodas de conversa. Porém, para os especialistas é justamente ao contrário, quanto mais o tema é falado e quanto mais é esclarecido, maior a chance de se prevenir.

Vale destacar também que estas doenças associadas ao suicídio, são transtornos para as quais existe tratamento, o que significa que o ato suicida, em grande parte, pode ser prevenido a partir da adoção de medidas adequadas.

Para isso, é fundamental levar mais informação sobre saúde mental para a população, desmistificando os transtornos mentais, principalmente em uma época em que o suicídio é responsável pela morte de um milhão de pessoas por ano, segundo dados da OMS.

 “Considerando a relação entre os transtornos mentais e o suicídio, o diagnóstico precoce dessas doenças deve ser a prioridade. E desmistificar o assunto, aumentando o debate e encorajando as pessoas na busca por auxílio médico, é uma forma de contribuir com toda a sociedade”, conclui a psiquiatra.

 

Assista também a palestra de Dra. Fabiana Nery “Suicídio não é escolha”.

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