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Transtorno Bipolar: crises e tratamento

Notícias 10/03/2020

Em entrevista à Band Mulher, a psiquiatra Paula Dione fala sobre as crises no transtorno bipolar e a importância do tratamento contínuo.

O transtorno bipolar é caracterizado por alterações no comportamento e oscilações no humor, conhecidos como episódios de mania (humor elevado) e depressão (humor rebaixado). Aproximadamente 4% da população mundial tem transtorno bipolar, de acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar.

A psiquiatra Paula Dione reforça que, no transtorno bipolar, os episódios maníacos ou depressivos, em geral, duram por um tempo significativo.

“Na realidade são períodos grandes de depressão ou mania, ou seja: dias da semana em que o indivíduo manifesta permanentemente aquela alteração de comportamento ou de humor… essa alternância habitualmente dura um tempo”, destaca a psiquiatra.

Assista à entrevista completa:

Crises e tratamento

A associação de medicamentos e psicoterapia aumentam as chances de melhora do quadro bipolar. O tratamento é contínuo e deve ser feito por toda vida, não apenas nas crises. Caso contrário, um outro gatilho pode surgir e agravar o quadro novamente.

Paula afirma que é preciso que o paciente e sua família tenham consciência sobre esses fatores e levem o tratamento adiante com seriedade:

“Se o paciente não estiver em condição de trabalhar (tratamento) não adianta submetê-lo apenas à psicoterapia… é importante frisar que o paciente que não se trata passa a ter crises tóxicas, com intervalos menores e cada vez mais graves”, pontua a psiquiatra.

A genética e os estressores

A causa exata do transtorno é desconhecida. Porém, estudos apontam grande influência de componentes genéticos. Ao mesmo tempo, fenômenos estressores podem servir de gatilho para desencadear algum episódio da doença.

Paula explica que ao analisar o histórico de um paciente “é possível identificar o fator de abertura para o transtorno, seja um momento de transição no ciclo de vida ou algum evento muito marcante que acaba propiciando o surgimento da doença, mas não como causador.”

É fundamental frisar que o acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico pode representar a possibilidade de uma vida plena para o indivíduo com transtorno bipolar.

Desmistificando estigmas

Banalizar o problema pode ser perigoso. Por isso, é fundamental que o assunto seja debatido, a fim de desmistificar estigmas e preconceitos a respeito da saúde mental.

Paula afirma que trazer o assunto para o debate social é algo saudável, pois facilita a procura por ajuda profissional.

“Às vezes é difícil procurar um psiquiatra porque ninguém quer ser rotulado. Quando a gente mostra que qualquer pessoa é passível de ter momentos de demanda psicológica, e que vale falar sobre isso de forma menos problemática, vale a pena o debate”, finaliza Paula Dione.

 

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