Mulheres que estão no processo de tentar engravidar muitas vezes se sentem pressionadas por si mesmas e pela sociedade, o que pode causar sofrimento psicológico.
Muitas mulheres desejam se tornar mães, mas esse processo nem sempre é tranquilo. Conceber um filho, seja ele por meios naturais ou com a ajuda da medicina, pode ser mais complicado do que se espera. Por isso, ansiedade, culpa, frustração e solidão podem acompanhar muitas mulheres nessa jornada. E, épocas como Dia das Mães, essas emoções podem se intensificar.
Josefa Ferreira, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Sexualidade da Holiste Psiquiatria, propõe uma reflexão sobre um tema que as vezes não se discute: como a pressão social e os estigmas em torno da maternidade afetam a saúde mental das chamadas “tentantes”.
A Pressão de Ter Que Dar Certo
A ideia de que engravidar é simples e natural para todas as mulheres desconsidera realidades muito diferentes. E isso contribui para o isolamento emocional de quem está tentando.
“Antes, a maternidade era vista como algo obrigatório na vida de uma mulher, mas conseguimos desmistificar essa questão. Nem toda mulher quer ser mãe. Mas, e quando o desejo existe e a realização não vem? Persiste a ideia de que engravidar é um processo fácil, mas não é verdade. Muitas mulheres enfrentam dificuldades e sofrem com pressões sociais que podem gerar estigmas, afetar a autoestima, o bem-estar psicossocial e as relações interpessoais”, comenta a profissional.
A Importância de Falar Sobre Isso
Redes sociais vêm sendo uma importante ferramenta nesse processo de acolhimento. Influenciadoras, atrizes e outras mulheres têm usado seus perfis para contar suas vivências com a fertilidade, quebrando o silêncio e criando espaços de troca e identificação. Projetos voltados para o tema da maternidade real também ajudam a normalizar a pluralidade de experiências e sentimentos.
Rede de apoio também é fundamental
O suporte de um parceiro atencioso, da família ou de profissionais de saúde mental pode tornar a caminhada menos pesada. Psicoterapia, grupos de apoio e escuta empática ajudam a validar sentimentos e a reconstruir o equilíbrio emocional.
“Entendendo ser um processo desafiador e muitas vezes solitário para a mulher, que já traz na bagagem cobranças e sensação de impotência, poder contar com o suporte do parceiro, da família e de psicólogos durante esse momento faz a jornada ser um pouco mais leve e menos sofrida”, destaca.
Conclusão
Tentar engravidar pode ser um processo repleto de esperanças e dores. É essencial reconhecer que, apesar dos desafios, ninguém precisa passar por isso sozinha. Acolhimento, escuta ativa e apoio psicológico são ferramentas valiosas para enfrentar esse percurso com mais leveza e menos culpa.
É importante lembrar e abraçar, ouvir e acolher as mulheres que estão nesse processo. Porque a jornada delas também merece respeito, empatia e visibilidade.

