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Depressão pós-parto: Tristeza e alterações do humor podem ser sintomas

Depressão 11/04/2016

A psiquiatra da Holiste, Dra. Lívia Castelo Branco, falou em entrevista ao programa Saúde & Bem-estar da rádio CBN Salvador sobre depressão pós-parto e explicou que este transtorno está associado a fatores físicos, emocionais e de estilo de vida.

“A depressão pós-parto está ligada desde um histórico de depressão prévia, ou seja, mulheres que já tiveram depressão, a pressões e cobranças que ocorrem neste período em relação a responsabilidade de estar gerando uma vida. Além disso, ocorrem as mudanças físicas no corpo e alterações hormonais, que podem contribuir para o desencadeamento deste quadro. Problemas ainda como falta de apoio do parceiro e/ou familiares, histórico de violência doméstica e estresse também influenciam”.

A chegada da maternidade é, na maioria das vezes, um momento muito esperado pelas futuras mães e também para toda a família. Porém, é muito comum que nesta fase algumas mulheres comecem a apresentar alguns sintomas depressivos como sentimento de tristeza e desespero constante, alterações de humor, falta de apetite, cansaço e perda do interesse pelas atividades do dia a dia.

 

Confira a entrevista completa

 

Transtornos: Blues puerperal, depressão pós-parto ou psicose

Dra. Lívia ainda explica que neste período, é comum 50 a 85% das mulheres após o período gestacional, apresentarem um quadro chamado de blues puerperal, que não deve ser confundido com a depressão pós-parto e nem com psicose. “São sintomas depressivos leves que não causam um prejuízo funcional grande. Ou seja, a mãe continua cuidando das atividades dela, da vaidade, do bebê, mas mesmo assim têm esses sintomas depressivos. Então a mãe chora muito, se sente muito ansiosa, apresenta dificuldade para se alimentar e dormir, porém não chega a um nível de prejuízo na vida dela e nem na do bebê. Além disso, é muito autolimitado, ou seja, com o tempo este quadro vai melhorando”. Normalmente, esse transtorno se inicia 2 ou 3 dias após o parto e dura em torno de uns 10 dias.

Já a depressão pós-parto, que acomete em torno de 10% das mulheres, instala-se lentamente; só de quatro a seis semanas depois do parto o quadro depressivo torna-se intenso. O transtorno pós-parto mais grave é a psicose puerperal, que atinge quatro entre 1000 mulheres. Esta é uma doença psiquiátrica grave, onde a mãe apresenta sintomas como: alucinações, insônia, agitação e raiva.

Sintomas

Para depressão pós-parto ser diagnosticada, os sinais e sintomas da depressão devem se desenvolver dentro de quatro semanas após o parto. Sinais de um episódio depressivo incluem, em parte:

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias
  • Redução de interesse e prazer nas atividades
  • Mudança significativa no apetite ou mudança inesperada no peso
  • Incapacidade de dormir (insônia) ou sonolência excessiva (hipersonia)
  • Agitação ou movimentos mais lentos
  • Fadiga ou falta de energia
  • Sentimentos de inutilidade
  • Capacidade reduzida de pensar, concentrar-se ou tomar decisões
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

Tratamento

No caso do blues puerperal, os sintomas desaparecem após uns 10 a 15 dias sem que seja necessária uma intervenção médica.

Já para a depressão pós-parto, o tratamento varia de acordo com o nível do transtorno e de como ele afete a vida funcional da mulher. Segundo a psiquiatra, “nos casos de leve a moderado, que existe um prejuízo, mas este prejuízo não é tão intenso a ponto de pensarmos em um internamento, geralmente o apoio familiar e o acompanhamento psicoterápico, ou seja, um médico psiquiatra e o psicólogo, já são suficientes. Em quadros de moderado a grave, a depender de cada caso, é que começaremos a pensar em alguma medicação”.

Se a depressão se agravar, chegando a psicose pós-parto é necessário tratamento imediato, e em alguns casos, é indicado a internação psiquiátrica. Quando a segurança da paciente está garantida, uma combinação de medicamentos – como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor – pode ser usado para controlar os sintomas. Tratamentos de neuroestimulação, como o EMT – Estimulação Magnética Transcraniana e o ECT – Eletroconvulsoterapia também são recomendados em alguns casos.

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