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O PACIENTE COMO PROTAGONISTA

Dúvidas 08/06/2021

Os transtornos mentais estão relacionados a questões biológicas, comportamentais, socioculturais e familiares. Deste modo, cada paciente deve ser tratado em sua singularidade, sendo o protagonista e referência do tratamento.

RETROSPECTIVA HISTÓRICA

O segmento da Saúde Mental sempre foi um terreno permeado por um forte teor ideológico. Desde períodos muito antigos, quando ainda se sabia muito pouco sobre a natureza dos transtornos mentais, associava-se algumas doenças a falhas de caráter e personalidade. Os anos passaram e, apesar de ainda restarem muitas interrogações sobre as causas e métodos de prevenção dos transtornos, hoje já sabemos muito sobre a natureza dessas doenças, com diversas possibilidades de tratamento para a maioria delas.

Porém, muitas pessoas ainda mantêm diversos preconceitos relacionados à saúde mental. O primeiro é a dissociação radical de aspectos como mente e corpo, como se o primeiro não fosse regido por fatores biológicos determinantes, o que desencadeia uma romantização da mente. A consequência desse processo de romantização é a negação da doença mental, como se o cérebro não fosse um órgão passível de adoecimento, como o coração ou o pulmão.

Há, ainda, uma forte influência dos movimentos de contracultura dos anos 60 e 70, que colocaram a loucura como uma consequência da opressão exercida pela sociedade capitalista, ignorando o fato de que os transtornos mentais estão presentes em toda a história da humanidade. Marginalizaram o doente mental; colocaram-no como um desajustado que cumpria o papel de expor as chagas sociais do capitalismo, e a loucura passou a ser vista como um ato revolucionário.

A politização do tema trouxe sérias consequências para pacientes que necessitavam de tratamento, principalmente aqueles que apresentavam quadros de maior gravidade. Nos anos seguintes vieram o movimento antimanicomial, a famigerada reforma psiquiátrica e a proibição de procedimentos consagrados, como a eletroconvulsoterapia. A consequência para os pacientes foi catastrófica: ausência de leitos para internação de pacientes graves, desassistência, agravamento de quadros, aumento da população de rua, surgimento das chamadas cracolândias, aumento da criminalidade, etc.

A ideologia suprimiu a técnica e passou a determinar o que deve ou não ser adotado no tratamento do paciente, quando o correto deveria ser relacionar as necessidades do indivíduo com os recursos técnicos disponíveis no momento. Colocar, sempre, as demandas do paciente como o referencial do tratamento em Saúde Mental é torná-lo protagonista desse processo.

A PROPOSTA DA HOLISTE

Foi justamente na contramão dessa visão autoritária e limitada que a clínica foi fundada, no início dos anos 2000. Com a missão de oferecer uma internação psiquiátrica de excelência, em um momento em que milhares de leitos eram fechados no país, a Holiste estabeleceu que o paciente e sua família são soberanos em relação ao tratamento, e a relação médico x paciente não deve sofrer influência de terceiros. A liberdade deve ser a tônica dessa interação.

Isso permitiu que, desde o início de nossas atividades, o paciente fosse a referência do tratamento, sem qualquer tipo de ideologia envolvida nas relações. Se o principal objetivo do tratamento é estabilizar os sintomas da doença e devolver ao paciente o protagonismo de sua própria vida, é natural que ele também seja o protagonista de seu tratamento.

“É importante ouvir o paciente, sua história, suas dores e suas expectativas. Cada doença tem sintomas específicos, claro, mas a forma como eles se manifestam é sempre individual. Os gatilhos que iniciam uma crise são sempre muito particulares, dizem respeito à vida de cada indivíduo e por isso ele deve ser a referência do seu processo de recuperação.

Também acreditamos que o paciente com transtorno mental é uma pessoa capaz, é um vencedor, que precisa de ajuda naquele momento específico da vida. Não temos uma visão de ‘nós x eles’, todos podemos enfrentar um transtorno durante a vida. Esse respeito com o paciente facilita a escuta e melhora a fluência do tratamento.” – afirma Luiz Fernando Pedroso, psiquiatra e Diretor Clínico da Holiste.

PROTAGONISMO DO PACIENTE NA PRÁTICA

Assim como cada paciente tem a sua história de vida, psiquiatras, psicólogos e terapeutas também têm. No momento em que o profissional de referência inicia o tratamento do paciente, é necessário deixar suas ideologias pessoais de lado e fazer tudo que estiver a seu alcance para recuperá-lo, sem medir esforços.

Por isso, a Holiste disponibiliza uma ampla equipe multidisciplinar, que traz psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educador físico, cardiologista, fisioterapeuta, musicoterapeuta, arteterapeuta, psicopedagoga, além de uma série de outros especialistas que, juntos, oferecem mais possibilidades para o tratamento do paciente.

Também não existe a condenação de qualquer prática que seja referendada mundo afora. A Holiste disponibiliza todos os recursos da psiquiatria moderna aos seus pacientes, sem qualquer burocracia ou amarra ideológica: telemedicina, eletroconvulsoterapia, estimulação magnética transcraniana, tratamento com cetamina, canabidiol, ibogaína, estimulação cognitiva, etc.; tudo está disponível para qualquer um de seus pacientes.

As modalidades de atendimento também são diversas, justamente para se adequar às necessidades de cada paciente. Para aqueles em crise, que enfrentam os sintomas graves da doença, a internação psiquiátrica está disponível para sua estabilização. Se o paciente já apresenta um quadro cronificado do transtorno, a Holiste conta com uma residência terapêutica para acolhê-lo. Se o quadro apresenta um problema de socialização, então a opção é uma abordagem em hospital dia psiquiátrico. E, caso o paciente esteja estabilizado, ele pode manter o seu atendimento psiquiátrico e psicológico em ambulatório.

Seja qual for a necessidade do paciente, a Holiste está preparada para acolhê-lo e tratar do seu transtorno. Ele tem liberdade para se expressar, para buscar aquilo que é melhor para si mesmo e retomar o controle de sua vida, de sua história, recuperando sua autonomia e sociabilidade.

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