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SAÚDE MENTAL SE DESTACA COMO SÍMBOLO DAS OLIMPÍADAS DE TÓQUIO

Notícias 03/08/2021

De acordo com psiquiatra, além do preparo físico, as questões psicológicas afetam diretamente o rendimento dos atletas

Os Jogos Olímpicos de Tóquio começaram oficialmente no último dia 23, mas já provaram que o tema desta edição será a importância da saúde mental para os atletas. Os australianos Ryan Broekhoff e Liz Cambage, representantes do basquete masculino e feminino, abriram mão da competição em nome da saúde mental.

Por outro lado, o atual campeão olímpico de arremesso de peso, o americano Ryan Crouser, revelou que investiu muito no trabalho de preparação psicológica para conseguir repetir o ouro olímpico. Segundo o atleta, a ansiedade afetava negativamente o seu desempenho nas competições.

Outro caso foi o da ginasta norte-americana Simone Biles que desistiu de disputar a final individual geral da ginástica artística para cuidar da saúde mental.

De acordo com Livia Castelo Branco, psiquiatra, coordenadora do Núcleo de Sexualidade da Holiste Psiquiatria, as questões psicológicas afetam diretamente o rendimento dos atletas profissionais. “O acompanhamento psicológico é essencial nos momentos de conflitos, grandes decisões ou estresse, pois facilita o controle de sintomas como ansiedade, medo, tristeza e raiva. Lidando melhor com os próprios sintomas, é possível melhorar a concentração, relacionamento com a equipe, redução do risco de lesões e de comportamentos que possam prejudicar o time”, explica.

Atletas que ‘travam’ sob pressão

A psiquiatra lembra que existem casos emblemáticos de atletas que travam na hora de uma competição. Esse comportamento de paralisação pode estar associado à ansiedade em momentos tensos da competição. Os esportistas sonham em poder participar de uma olimpíada, mas todo o processo de preparação e a disputa em si são situações que exigem muito da mente e não só do corpo. Por isso, o acompanhamento psicológico já é realidade nas delegações.

“Há artistas que escolhem se afastar das redes sociais, ou atletas que decidiram nem entrar nas Olimpíadas. Quando se trata de um problema físico, as pessoas conseguem falar de forma mais natural —por exemplo, que houve uma ruptura do ligamento do joelho, por isso o atleta está afastado. Já a saúde mental, por mais que estejamos falando mais nela, é mais difícil de mensurar e abordar”, completa.

Para a especialista, “algumas pessoas vão encarar a desistência como falta de vontade ou covardia, mas na verdade é um ato de coragem muito grande expor a dificuldade, a fraqueza, a saúde mental ao público”.

Falando sobre Saúde Mental

No começo do ano, a segunda melhor tenista do mundo, Naomi Osaka, abriu o jogo sobre saúde mental. A atleta revelou sofrer crises de depressão desde o título do Aberto dos EUA de 2018 e afirmou que ficaria longe das quadras por tempo indeterminado. Felizmente, o acompanhamento médico se mostrou efetivo e Osaka vai representar o Japão nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Para Livia Castelo Branco, o posicionamento de estrelas como Naomi Osaka são importantes porque reforçam que o sofrimento psíquico tem tratamento. “O relato de pessoas famosas de diversos setores na sociedade, mostrando que o sofrimento psíquico em muitos momentos é desnecessário e tem tratamento, contribui com a desmistificação da saúde mental e encoraja as pessoas a compartilhar suas lutas, ajudar-se mutuamente e procurar auxílio profissional”, aponta.

Quando o assunto é saúde mental, a informação é o primeiro passo do tratamento.

 

 

Matéria veiculada em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57993220 

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